Can’t We Sleep Already?


Schizofrenics
Maio 6, 2009, 11:36 pm
Arquivado em: Uncategorized | Tags: ,

Essa é a história de alguém da massa – não a massa qualquer, a massa genérica, alguém da massa manipulada.

Aquela história da massificação que todo mundo já conhece.

Esse alguém um dia resolveu não acreditar nas massas. Ele buscava informações e montava suas próprias opiniões.

O problema é que ao negar as massas ele se tornou inconsciente da existência delas.

Ele se tornou parte da massa mais compacta, mais trabalhada, o primeiro resíduo sólido a decantar; alienação completa.

O resto eram só vozes e pensamentos.

Não sei se chamo isso de mediaeffect ou de esquizofrenia.



Dead Guy’s Handbook #1
Maio 4, 2009, 4:11 pm
Arquivado em: Uncategorized | Tags: ,

O que leva pessoas a um dia acordarem e se perguntarem em frente ao espelho se estão plenamente satisfeitas com a vida que tem? Como se olhar no fundo dos próprios olhos fosse algum gatilho para sinceridade instântanea. Não é. Não existe algo desse tipo.

Olhar. Pronto. Estou olhando. Ah! Antes de mais nada, acho que deveria me apresentar. Eu tenho pouco mais de idade do que o mínimo para poder ser considerado um criminoso se sair da linha mas ainda não estou preparado para morrer em alguma guerra sem sentido se uma explodisse agora. Não tenho a mínima intenção de me encaixar em nenhuma dessas duas situações. Tenho um emprego apesar da pouca idade, mas não gosto dele. Faço faculdade numa área que dizem ser bastante promissora, mas tenho dúvidas quanto a minha motivação. Até pouco tempo atrás tinha alguém que considerava ser a mulher da minha vida, só não sei ao certo de qual vida. Tenho mais maus hábitos do que aspirei, e menos do que digo ter quando me perguntam. Toda vida é confusa e desregrada, mas a minha por ser minha me parece a única digna de nota. Meu nome é… Bem, não faz muita diferença não é mesmo? De uma forma ou de outra, quando eu acabar com essa coisa de espelho as coisas devem mudar. Qualquer mudança é bem vinda.

Estou olhando. E agora estou olhando um pouco mais. Granito frio. Frio e liso sob meus dedos. Granito é um tipo de pedra magmática. Eu sei disso porque tive aulas de ciências naturais no primário. O cara no espelho não sabe sobre o granito. Dependendo do ângulo que eu olho, nem sabe que a pia, que é de granito, existe. Então eu conto à ele:

- Ei, sabe a pia? É de granito. Granito é um tipo de pedra magmática. É formado por vulcões e coisas assim. Magmáticas, é como chamam elas.

Não houve resposta. Não é como se eu estivesse esperando por uma, mais como se eu quisesse que houvesse uma. Enquanto falava tive a nítida impressão de que era ele quem me explicava as coisas, ele falava com mais convicção que eu mesmo. Talvez ele já soubesse sobre pedras. Por via das dúvidas faço um gesto de agradecimento.

Meu relógio de pulso apita para me avisar que uma unidade de algo abstrato, e portanto sem unidade, chamado tempo acaba de passar. Faço uma nota mental para agradecê-lo quando encontrar um pouco desse tal tempo. Meu coração bateu cinco mil e quatrocentas vezes na última hora, mas só percebi as três últimas. Estava prestando atenção tentando desviar o foco dos pensamentos que estava tendo. Distrair a mente de tudo e não muito ao mesmo tempo.

- Está satisfeito com a sua vida? Quero sinceridade. – Pergunto olhando diretamente para o espaço entre os olhos do homem no espelho. Medo de fitar as pupilas na última hora.

- Não, não estou. Ninguém realmente está, se alguém disser que está, bem, é mentira. Você está satisfeito com a sua? – O homem no espelho disse.

- Sim, eu sinceramente estou satisfeito com a minha vida. – Menti descaradamente. E quebrei o espelho antes que ele dissesse algo mais.

Decidi que iria virar à esquerda ao invés da direita na próxima interseccção que encontrasse não importasse qual o preço fosse. E se para a esquerda não houver nada além de um abismo sem fim, eu pulo.



Começo.
Maio 3, 2009, 11:34 pm
Arquivado em: Uncategorized | Tags:

Às vezes as pessoas se esquecem de como é simples começar.



Beginners For All Time’s Worth
Abril 30, 2009, 12:22 pm
Arquivado em: Uncategorized | Tags:

Todo começo é mais ou menos parecido por que é o que faz dos começos começos e não outra coisa qualquer. Tenta-se normalmente no começo ilustrar as coisas o bastante para que se possa imaginar bem as intenções de contar a dita história, ou simplesmente ocultar qualquer tipo de informação relevante referente à dita história. Depende do tipo de cara que você é. Eu sou do tipo de que não começa nada.

Quantas coisas um sujeito pode começar hoje em dia? No fim das contas ninguém se lembra do começo das coisas. É algo que se descobre e se coloca a perder no momento em que algo mais aparece. Algo que não seja mais o começo. As coisas andam tão rápido que não se percebe que o começo foi tão pequeno e foi crescendo exponencialmente até virar algo grande feito um elefante na sala de estar ou uma bola de neve do tamanho do estado. Pontos finais não agem assim o tempo todo. Dependendo de como se vê, eles podem ser somente uma pausa. É como chamar todo homem de humano, chamar todo ponto-final de ponto-final. Uma generalização que tento evitar. Escrevo sinais gráficos para que você levante essa sua bunda gorda e vá buscar algo pra beber enquanto pensa em algo melhor para fazer do que ler isso. Delimito as frases com manchas de tinta virtuais. Pixeis pretos contra o fundo que não é branco, mas todas as cores piscando rápido o bastante para que nenhuma delas apareça.

O branco é mais ou menos como um maquinário bem lubrificado. Todas as cores juntas possibilitam o branco. Pense num trabalho em equipe matador. As cores são tão indistinguíveis umas das outras que é difícil dizer se existe ou não outra coisa além do branco. O ponto-final é só um porto seguro no meio do mar da falta de identidade branca de uma tela de LCD. Um ser humano normal passa quarenta minutos por dia completamente cego mesmo com os olhos abertos. Uma tela de LCD passa quase um terço do tempo vazia mesmo quando ligada. Não se percebe porque nada é o que parece. Tudo é outra coisa. Exceto quando não são. Esse é o começo. Pode ser o começo. Será o começo por quanto tempo for necessário um começo.