Essa é a história de alguém da massa – não a massa qualquer, a massa genérica, alguém da massa manipulada.
Aquela história da massificação que todo mundo já conhece.
Esse alguém um dia resolveu não acreditar nas massas. Ele buscava informações e montava suas próprias opiniões.
O problema é que ao negar as massas ele se tornou inconsciente da existência delas.
Ele se tornou parte da massa mais compacta, mais trabalhada, o primeiro resíduo sólido a decantar; alienação completa.
O resto eram só vozes e pensamentos.
Não sei se chamo isso de mediaeffect ou de esquizofrenia.
Todo começo é mais ou menos parecido por que é o que faz dos começos começos e não outra coisa qualquer. Tenta-se normalmente no começo ilustrar as coisas o bastante para que se possa imaginar bem as intenções de contar a dita história, ou simplesmente ocultar qualquer tipo de informação relevante referente à dita história. Depende do tipo de cara que você é. Eu sou do tipo de que não começa nada.
Quantas coisas um sujeito pode começar hoje em dia? No fim das contas ninguém se lembra do começo das coisas. É algo que se descobre e se coloca a perder no momento em que algo mais aparece. Algo que não seja mais o começo. As coisas andam tão rápido que não se percebe que o começo foi tão pequeno e foi crescendo exponencialmente até virar algo grande feito um elefante na sala de estar ou uma bola de neve do tamanho do estado. Pontos finais não agem assim o tempo todo. Dependendo de como se vê, eles podem ser somente uma pausa. É como chamar todo homem de humano, chamar todo ponto-final de ponto-final. Uma generalização que tento evitar. Escrevo sinais gráficos para que você levante essa sua bunda gorda e vá buscar algo pra beber enquanto pensa em algo melhor para fazer do que ler isso. Delimito as frases com manchas de tinta virtuais. Pixeis pretos contra o fundo que não é branco, mas todas as cores piscando rápido o bastante para que nenhuma delas apareça.
O branco é mais ou menos como um maquinário bem lubrificado. Todas as cores juntas possibilitam o branco. Pense num trabalho em equipe matador. As cores são tão indistinguíveis umas das outras que é difícil dizer se existe ou não outra coisa além do branco. O ponto-final é só um porto seguro no meio do mar da falta de identidade branca de uma tela de LCD. Um ser humano normal passa quarenta minutos por dia completamente cego mesmo com os olhos abertos. Uma tela de LCD passa quase um terço do tempo vazia mesmo quando ligada. Não se percebe porque nada é o que parece. Tudo é outra coisa. Exceto quando não são. Esse é o começo. Pode ser o começo. Será o começo por quanto tempo for necessário um começo.